colunista Juliana Braga
Jornalista do MyNews
Jogo político

Centrão aproveita caso Daniel Silveira para evitar constrangimentos futuros

Câmara deve manter prisão do parlamentar que publicou vídeo ofendendo ministros do STF
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Superando seu espírito de corpo, a Câmara deve manter preso o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) na sessão da tarde desta sexta-feira (18). Nas primeiras horas após o flagrante, deputados ainda se declaravam contrários ao expediente, viam excesso do ministro Alexandre de Moraes e alertavam para o perigo da abertura de precedente. O jogo foi virando à medida em que o Supremo Tribunal Federal dava sinais de força e de união e, ao fim, o Centrão enxerga no caso, agora, uma oportunidade de colocar freio na base ideológica do presidente Jair Bolsonaro.

Deputado Daniel Silveira. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Deputado Daniel Silveira. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

O temor do Centrão é ser novamente constrangido, agora que integra formalmente a base de Jair Bolsonaro, com novos impropérios desses aliados que já caminham com o presidente desde o início da sua jornada presidencial. Ao manter a prisão de Daniel Silveira, o grupo manda um recado de independência em relação à base mais ideológica do presidente e diminui o ímpeto dos colegas de Daniel em repetir ataques ao STF.

O cálculo passa pelas eleições em 2022, mas também por algo mais imediato: receio de enfrentar o STF, o responsável pelos inquéritos que vários desses parlamentares da nova base de Bolsonaro respondem.

O receio de abertura de precedente foi deixado de lado diante da oportunidade de fazer essa sinalização. Afinal, uma eventual nova prisão precisará passar igualmente pela Câmara, detentora da última palavra. Os recados que chegaram do STF davam contas de que a prisão só foi a medida adotada diante da gravidade das declarações de Daniel Silveira. Só virará hábito se os impropérios também virarem.

É nesse cenário extremamente desfavorável que Daniel Silveira encara hoje seus colegas na votação que deve mantê-lo preso. Na conta dos líderes, serão cerca de 300 votos contrários ao parlamentar, muito acima dos 257 necessários. 

Há quem aposte, no entanto, no relaxamento da prisão depois de o processo no Conselho de Ética começar a andar. Alexandre de Moraes deixou claro que vai exigir uma manifestação do Congresso – seu juiz auxiliar manteve Silveira encarcerado na audiência de custódia até que o plenário analise o caso. Mas pode optar pela prisão domiciliar se o Congresso deixar claro que o episódio não ficará impune.

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