Corte da Selic e incerteza fiscal dividem mercado no ciclo eleitoral Foto: Carta Capital

Corte da Selic e incerteza fiscal dividem mercado no ciclo eleitoral

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Inadimplência alta e sinalizações políticas levam Banco Central a adotar postura cautelosa no ritmo de cortes de juros

O Banco Central encerrou o último ciclo de cortes antes das eleições com uma redução de 0,25 ponto percentual. Em entrevista ao Café do MyNews, Augusto Parente, fundador da AW Capital, analisou o cenário. Inicialmente, o mercado previa uma queda forte da Selic durante o ano. No entanto, as estimativas atuais indicam um encerramento entre 13,25% e 13,50%. O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém o pé no freio por causa de dois fatores principais. Primeiro, o movimento oposto do Banco Central Americano; segundo, os dados do IBC-Br, que já mostram a desaceleração do PIB.

Impacto do crédito e da inadimplência

Na ponta final, a economia real demora de quatro a seis meses para sentir o alívio das reduções da taxa básica. O aumento da inadimplência em linhas como cartão rotativo e cheque especial agrava a situação. Por causa desse risco, os bancos cobram mais caro na concessão de novos empréstimos. Esse movimento eleva o spread bancário e encarece o custo do dinheiro para pessoas físicas e empresas.

O papel da curva de juros no ambiente político

A curva de juros futuros reage diretamente às expectativas e aos discursos de campanha. Um avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas tende a puxar os juros futuros para baixo, pois transmite maior responsabilidade fiscal. Em contrapartida, declarações do candidato Lula contra o teto de gastos elevam a curva. Nesse cenário de incerteza sobre despesas e receitas, os investidores exigem juros maiores para financiar a dívida pública.

Lucratividade e perspectivas futuras

O mercado financeiro busca retorno e lucro acima de ideologias partidárias. Os dados recentes de atividade econômica mostram que há espaço para novos cortes na Selic. A magnitude dessas quedas dependerá da postura do novo governo com as contas públicas e da condução da política monetária nos próximos meses.

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