Igor Britto, diretor do Idec. Foto: Idec
Igor Rodrigues Britto defende proibição da publicidade de apostas online e reforço da fiscalização diante de relatos de endividamento, dependência e danos às famílias
Após participar de reunião convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir os impactos das apostas online no Brasil, o diretor executivo do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), Igor Rodrigues Britto, afirma que a regulamentação econômica do setor não tem sido suficiente para garantir a proteção dos consumidores.
Britto sustenta que as plataformas de apostas se expandiram com forte presença em transmissões esportivas, redes sociais e publicidade, enquanto consumidores relatam problemas como bloqueios de contas, dificuldades para sacar valores e estímulos para continuar apostando. Para o diretor do Idec, a repetição dessas práticas indica problemas estruturais na relação entre as empresas e seus usuários.
O executivo também relaciona a expansão das bets a impactos financeiros, sociais e de saúde, especialmente entre famílias vulneráveis. Segundo ele, campanhas que atribuem ao consumidor a responsabilidade por “jogar com responsabilidade” não seriam suficientes diante das estratégias de publicidade, bônus e mecanismos das plataformas destinados a estimular a permanência no jogo.
Como resposta, o diretor defende a proibição total da publicidade e de outras formas de marketing das bets, além do fortalecimento da fiscalização e da integração entre órgãos de defesa do consumidor, saúde e assistência social. Para o diretor do Idec, a arrecadação gerada pelo setor não deveria se sobrepor aos custos sociais, financeiros e de saúde associados às apostas.