Ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Aliados de Jair Bolsonaro apostam em Dr. Daniel para enfrentar grupo dos Barbalho, mas reportagem levanta questionamentos sobre cargos e influência familiar
O bolsonarismo no Pará ganhou um novo nome: a pré-candidatura de Dr. Daniel ao governo estadual. Prefeito de Ananindeua, segunda maior cidade do estado, ele passou a concentrar apoio de figuras importantes da direita paraense e nacional, entre elas o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Éder Mauro.
A movimentação também fortalece a tentativa do bolsonarismo de ocupar um espaço historicamente dominado pela família Barbalho no estado. Nos últimos meses, Dr. Daniel apareceu ao lado de lideranças conservadoras em agendas políticas e eventos públicos. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, por exemplo, Flávio Bolsonaro afirmou que o prefeito pode “transformar verdadeiramente esse estado”.
Segundo reportagem de Adriano Wilkson, existe uma articulação para consolidar uma nova força da direita no Pará. Ao mesmo tempo, porém, existem dúvidas sobre a coerência entre o discurso anticorrupção adotado por aliados bolsonaristas e as práticas políticas nos bastidores.
Um exemplo é o caso do vereador Zezinho Lima, do PL. Parentes do parlamentar ocuparam cargos ligados à prefeitura de Ananindeua e ao instituto previdenciário do município.
“Eles querem tirar a família Barbalho do poder. O que eles não te dizem é que querem fazer tudo isso para colocar outra família no lugar”, afirma Wilkson.
Além disso, familiares do deputado estadual Bob Fly e do ex-candidato JK do Povão também aparecem em nomeações para cargos públicos ligados à administração municipal.
Dessa forma, há uma contradição entre o discurso moralizador usado pela direita nas redes sociais e as práticas adotadas nos bastidores. Enquanto isso, podemos também relembrar episódios anteriores envolvendo suspeitas sobre crescimento patrimonial e distribuição de cargos políticos em Ananindeua.
Outro ponto que chama atenção é o fato de que informações sobre servidores públicos municipais deixaram de aparecer recentemente no sistema de transparência da prefeitura. Com isso, o acompanhamento de possíveis nomeações e movimentações na máquina pública ficou mais difícil justamente em um período pré-eleitoral.
Para o jornalista Adriano Wilkson, o timing da alteração não parece coincidência. “Justamente nas vésperas do período eleitoral, a gente não consegue mais ver esses dados”, afirma.
Até o momento, a prefeitura de Ananindeua não respondeu aos questionamentos apresentados.